Crônicas postadas no Overmundo e Jornal Diário do Pará



O NAMORADO DO MUNDO

28/11/2008
O tempo, a vida, mostram que estamos praticamente batendo na porta de um novo ano. Escrevo, pensando, que findam os anos, como findam as juras de amor, as dores que pareciam incuráveis, os momentos felizes e as horas de infelicidade, a esperança e a desesperança, os anseios que não realizamos, os pesadelos com um passado de emboscadas que riscaram nossa alma. Leis da vida. Do mundo rés ao chão.

Para quem acredita, todavia, nos segredos divinos estamos começando a espiar uma nova floração, uma nova paisagem. Daqui a pouco o mundo terá um aroma de primavera. O calendário vira sua página e se renovará no tempo e no espaço. Mesmo que o novo ano seja apenas uma fantasia para o homem, aprendi que alimentar nossas almas somente com as verdades da vida sempre será o pior dos cardápios, a inutilidade total, o avesso dos sonhos.

Nos mistérios da noite vão se esconder os segundos de um ano que para sempre ficará tatuado na memória da humanidade. Nascerá um novo namorado do mundo, carregando a responsabilidade de recriar muitas esperanças que pareciam perdidas, nossos desejos que conserve nossas vidas, da nossa família, dos nossos amigos. Essa é a ronda inexorável da sucessão dos dias e das noites riscando no ar um verso que diz que a vida continua.

É natural que o desconhecido nos assuste, entretanto, com fé, poderemos começar a pisar num chão que não semeia fogo, mas, sim, que faz nascer nas suas entranhas, no seu ventre de ainda criança a seiva que fortalecerá as raízes que transformarão nosso andar em passos acelerados em busca de todas as glórias, de estancar nossos momentos de revolta que irromperam da injustiça. O ano apenas começará, endeusado, apaixonante. Teremos tempo bastante para acreditar em todas as suas promessas e cobrar suas mentiras.

Começaremos uma nova jornada. Uma nova viagem, que esperamos ser atraente, excitante, encantada e que nos surpreenda favoravelmente com a luz que nasce da felicidade. Que seus afetos sejam envolventes e que seus segundos sejam benignos como são os primeiros raios da alvorada, belos como as ultimas cores do sol poente.

Caso estejamos buscando o amor forte dos amantes que ele nasça junto com o esplendor da lua cheia. Sob o teto azulado de todas as estrelas. Se estivermos buscando minimizar nossas saudades que nossa fé renasça na verdade de todas as orações. Se estivermos em busca da liberdade das nossas almas que ela apareça copiando os vôos matinais de todos os pássaros.

Como é certo que estaremos sempre buscando os perfumes da felicidade, que eles surjam como recompensa pelos nossos gestos fraternos que ofertamos para quem tem o olhar suplicante. Que possamos, enfim, encontrar a felicidade, o porto seguro para tantos que perderam o rumo, que desaprenderam a ter esperanças, que se descuidaram das coisas da alma. Em certa ocasião, um poeta com o coração em fatias, disse: que a felicidade era a boneca de olhos azuis...da menina que não tem braços. Eu, ao contrário, sempre levarei nos olhos a ânsia incontinda de acreditar em ser feliz.

Antecipando-me ao nascer de um novo pedaço da vida, lembro, que até a sua chegada, ainda temos tempo para perdoar todos aqueles que nos apedrejaram com atos e palavras que magoam, que foram injustos com nossas convicções, nossos ideais.

Lembro - a recíproca é verdadeira - que ainda nos sobra tempo para reconhecermos que na nossa insensatez de humanos também fomos atores do teatro da vida que encenam os desumanos. Acredito que mesmo sendo absolvidos ou condenados, podemos pensar que a melhor lei da vida, da justiça, é aquela que é escrita pelas mãos do coração.

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Por: Noélio A. de Mello
 

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