Crônicas postadas no Overmundo e Jornal Diário do Pará



O QUE HÁ DE VIR?

21/11/2008
Sempre encontro surpresas delirantes em muitas almas que conheço. Vejo que uma infinidade de homens acredita que as páginas do livro de suas vidas já estão escritas, contando a trajetória dos seus passos, desde o inicio de suas felizes ou sofridas existências até as suas derradeiras viagens sem volta rumo aos segredos do infinito, ao que ainda é invisível ao nosso olhar.

Fico imaginando como esses corações ateus conseguem lutar pelos seus sonhos, por suas glórias, pela busca incessante da felicidade, se acreditam que tudo que anseiam já está escrito nas estrelas, tornando seus destinos um caminho que não permite atalhos e que lhes nega o justo direito de revirar suas vidas.

Que emoção poderia trazer uma fantasia do espírito, se o que há de vir, já nasce tatuado nas paredes de seus frios corações, no intimo de suas entranhas dolorosamente moldado pelas mãos do tempo?

Escrevo, pensando como deve ser monótona a vida para aqueles que não podem vibrar pelos inesperados das emoções, pelo desconhecido, pelo o que imaginam que não podem mudar.

Escrevo, pensando como seria possível tentar o impossível de enganar a própria existência, suportar o mundo, o tédio da vida, se não fossemos capazes de construirmos nosso próprio futuro. Como poderão, tantos incoerentes, buscar um amor, se seus olhares já carregam a tinta cinza do desamor? Como poderão sonhar, se as paredes das suas noites já são cortinas de pesadelos angustiantes? Como poderiam lutar pela liberdade dos seus pensamentos, se as verdades que acreditam independem das suas vontades, das coragens próprias aos corações audazes, das suas mais coloridas ousadias?

Se não cremos que o que há de vir não são os frutos maduros daquilo que plantamos, estamos, então, definitivamente excluídos da possibilidade de escolher entre o bem e o mal. A Liberdade é o bem supremo do homem, nascida das raízes do bom senso e da determinação e que não permite o cansaço, a vontade de desistir. Deus, em sua bondade, nos deu o livre-arbítrio para decidirmos nossos rumos, nossa sorte, nosso futuro, nossa felicidade.

O que há de vir, portanto, em nossas vidas, sempre serão conseqüências daquilo que fazemos com a nossa esperança, com a fraterna extensão do nosso olhar. Não podemos culpar as ondas do destino pelas nossas aflições, pelos infortúnios que nos abatem, pelas decepções que nos queimam como chamas, pelo desamor que nos isola do mundo, pelas dores sem remédio que nos invadem no inesperado de um segundo.

O que há de vir de coisas boas, trazidas pelos bons ventos da felicidade, também nunca foram escritas pelas mãos da sorte, do acaso, como tantos teimam em acreditar. Não podemos viver felizes se achamos que depois da floração, tudo voltará a sua triste origem. Precisamos acreditar que só as nossas mãos são capazes de semear a aridez de uma nova terra.

Os momentos de alegrias são merecimentos que colhemos, também, pela força da nossa fé. Homens desafortunados e infelizes que contam a própria idade do mundo, mudaram suas trajetórias porque acreditaram que poderiam, independente da sorte contrária, dos passos do destino, revirar suas dores e costurar suas esperanças nas asas do amanhã.

Como o tempo é a mentira suprema, nós somos os únicos responsáveis em escrever nossas histórias, com a tinta rubra do desgosto, com o travo do fel ou com os dedos das verdades divinas que desenham nos espaços sem fim os castelos dourados dos nossos anseios.

Como o homem foi criado por Deus à sua semelhança é dotado de razão, sendo, dessa maneira, livre e senhor dos seus atos, traçando seu destino, seu futuro. Então, o que há de vir amanhã poderá ser o recomeçar da vida, o esplendor da esperança, um abraço da felicidade- o alcançar da perfeição da liberdade quando está ordenada para Deus, nossa bem aventurança-

Na verdade, para sempre nada está escrito na estrelas, a não ser o findar da vida e seu recomeço nos campos verdejantes da eternidade. Mas isso é outra história, que, por enquanto, não é tempo de tentar desvendar. Seria insensato como questionar o ontem, o que jamais voltará.

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Por: Noélio A. de Mello
 

Comentários

 
Data: 06/04/2009
Nome: Enilda
Comentário: A crônica é antes de qualquer coisa, lúcida. Parabéns.
 
Data: 04/12/2008
Nome: Ana Alice Machado
Comentário: O que você escreve são bálsamos para nossas dores e luz para nossas desesperanças.Continue.
 
Data: 04/12/2008
Nome: Liana Bentes
Comentário: Que maravilha você ter voltado. Seu site ficou lindo. Suas novas crônicas estão soberbas. Mer A PRIMEIRA RUA DE UM SONHO,é caminhar sobre poesias que só sua alma sabe contruir. Linda.
 
Data: 04/12/2008
Nome: Cleonice Mendes
Comentário: Essa crônica fez com eu voltasse a acreditar na vida,a viver o presente sem temer o futuro. Obrigado, poeta, pela sua volta e, não poderia, deixar de elogiar a beleza do seu novo site. Lindo

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